segunda-feira, 5 de julho de 2010

Reflexões... (2)

"A Instabilidade e Imprevisibilidade do Nosso Comportamento


Não deveis estranhar se hoje vedes poltrão aquele que ontem vistes tão intrépido: ou a cólera, ou a necessidade, ou a companhia, ou o vinho, ou o som de uma trombeta, tinham-lhe incutido coragem. Não se trata de uma coragem que a razão haja modelado; foram as circunstâncias que lhe deram consistência; não espanta, pois, que circunstâncias contrárias a tenham transformado.
Esta tão flexível variação e estas contradições que em nós se vêem, fizeram com que alguns imaginassem termos duas almas, e que outros supusessem que dois poderes nos acompanham e agitam, cada qual à sua maneira, um tendendo para o bem, o outro para o mal, já que tão brutal diversidade não poderia atribuir-se a uma só entidade.

Não somente o vento dos acidentes me agita consoante a direcção para que sopra, mas, ademais, eu agito-me e perturbo-me a mim próprio pela instabilidade da minha postura; e quem, antes do mais, se observar, nunca se achará duas vezes no mesmo estado. Confiro à minha alma ora um rosto ora outro, conforme o lado sobre que a pousar. Se falo de mim de diferentes maneiras é porque de maneiras diferentes me observo. Toda a sorte de contradições se podem encontrar em mim sob algum ponto de vista e sob alguma forma. Envergonhado, insolente; casto, luxurioso; tagarela, taciturno; duro, delicado; inteligente, estúpido; irascível, bonacheirão; mentiroso, veraz; douto, ignorante; generoso, avaro e pródigo: tudo isto vejo em mim de algum modo, conforme para onde me viro. Quem quer que se estude a si próprio muito atentamente, encontra em si, e até no seu mesmo juízo, igual volubilidade, igual discordância. Não há nada que eu possa dizer de mim numa só palavra de modo absoluto, único ou inabalável, sem incluir mesclas ou misturas."

Michel de Montaigne, in 'Ensaios - Da Inconstância das Nossas Acções'

domingo, 4 de julho de 2010

Reflexões...

Nós e os outros…

Por que será que, todos nós ou quase, quando nos sentimos desencantados e/ou decepcionados, tentamos, mesmo sem razão, culpar - quase sempre - os outros?

Por que será que, todos nós ou quase, tentamos culpar os outros das nossas próprias frustrações?

Por que será que, quase sempre, quando a vida nos corre mal, tentamos sempre convencer-nos, que a culpa é dos outros?

Não interessa nada que tenham o direito de se defenderem. Culpam-se, e pronto! Caso arrumado… Parece que, cada vez mais, cada um se acha dono da razão e da verdade e acabou-se!

Deixar os outros defenderem-se, para quê? A decisão está tomada e é irreversível…

Depois, queixamo-nos que a Justiça não funciona. Como poderá funcionar, se logo ao nível individual, não permitimos que funcione?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mundial de Futebol

Portugal 0 - Espanha 1

Sr Prof Carlos Queiroz,

Por favor, vá para outro lado! Deixe de ser seleccionador nacional. Vá aprender alguma coisa sobre táctica e depois, se ainda tiver idade para isso, volte...

Para si, o importante é perder por poucos. Viu-se ao longo dos jogos mais difíceis. Por isso, deixe os adeptos e os amantes do futebol em paz.

Por que razão, neste País, seja no que for, são sempre os menos capazes a dirigir, a mandar, a tomar decisões?

domingo, 27 de junho de 2010

Coisas do futebol e não só...

Alemanha 4 – Inglaterra 1

Por estas e por outras, é que o futebol, me é mais ou menos indiferente.

Na verdade, graças a um “jeitinho” do árbitro de seu nome Jorge Larrionda, cidadão uruguaio, ao invalidar um golo perfeito e limpinho de Frank Lampard, - segundo as imagens e os comentadores, a bola esteve bem meio metro para lá da linha de golo - a Inglaterra viu um resultado de 2-2, transformar-se, com o decorrer do jogo, num pesadelo final: 4-1

Perguntar-se-á, se o senhor árbitro tivesse interpretado correctamente as leis do jogo como lhe competia, qual teria sido a verdadeira evolução e o real resultado do jogo? Infelizmente, nunca o saberemos.

Tal como nunca saberemos, o que noutros campos para além do futebol, sucederia se não acontecessem certos “jeitinhos” em benefício de alguns… quase sempre, ou sempre, os mesmos...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

As Palavras...

Nestes tempos que vão correndo, em que as palavras parecem nada valer, de tão mal ouvidas ou ignoradas que são, resolvi partilhar com quem me ler, este poema de Eugénio de Andrade:

" As palavras

São como um cristal,

as palavras.

Algumas, um punhal,

um incêndio.

Outras,

orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:

barcos ou beijos,

as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,

leves.

Tecidas são de luz

e são a noite.

E mesmo pálidas

verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem

as recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,

nas suas conchas puras?"


Espero que ao lerem este poema, ele sirva, de alguma maneira, para meditarem sobre tanta coisa que por aí se diz... Algumas muito, mesmo muito importantes, outras, nem tanto...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Meditações...

"Os homens existem uns para os outros; logo, ou os ajudas a melhorar ou os suportas.
Penetra na razão de cada um e deixa também que cada um penetre na tua razão.
O melhor modo de nos vingarmos é não nos assemelharmos a quem nos faz mal.
O que não é bom para o enxame não é bom para a abelha.
Hoje saí de todas as dificuldades; ou melhor, expulsei todas as dificuldades, pois elas não estavam no exterior, mas no interior, nas minhas opiniões.
Apagar o que vem da imaginação; reprimir os impulsos; eliminar os apetites; ater-se por si mesmo à razão.
Quem ama a fama faz a sua felicidade depender dos outros; quem ama o prazer faz a sua felicidade depender das suas próprias sensações; quem é inteligente faz a sua felicidade depender dos seus próprios actos.
Que as coisas futuras não te preocupem. Chegarás a elas, se tiver de ser assim, levando a mesma razão que agora usas para as coisas presentes.
Não te juntes aos outros nas lamentações nem nas emoções violentas.
Explora-te por dentro. É dentro que está a fonte do bem e ela pode jorrar sempre, se a explorares sempre.
Homem nenhum te impedirá de viver segundo a razão de tua natureza; nada te acontecerá contra a razão da natureza universal.
Procura a verdade, pela qual nenhum homem jamais foi ferido.
Mantém-te simples, bom, puro, sério, livre de afectação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado, vigoroso em todas as tuas atitudes.
Luta para viver como a filosofia gostaria que vivesses.
Reverencia os deuses e ajuda os homens.
A vida é curta."
(Marco Aurélio, Meditações)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Solstício de verão...

No dia da passagem de mais um solstício, que assinala o início do Verão, veio-me à memória uma visita a Stonehenge que, segundo parece, começou a ser construída cerca de 3.100 anos aC e se destinava a rituais religiosos. É um monumento espectacular e tem pedras que pesam cerca de 50 toneladas cada uma. De qualquer maneira, parece que a disposição dos anéis internos e externos têm algo a ver com alguns movimentos do Sol e da Lua. É considerado Património da Humanidade.

Photo of Stonehenge, Wiltshire. Part of the UK Travel and Heritage Image Library from Britain Express, Wiltshire Collection. These photos were taken in mid summer (the week after the summer solstice). A small group of us obtained permisssion to access the stone circle outside regular opening hours, and were able to walk among the stones - a real treat not available to regular visitors!